quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Fim dos Tempos


Amados Irmãos,

É notória a infinidade de pessoas que recentemente tem anunciado o fim dos tempos, como verdadeiros arautos da verdade imutável. Não bastassem os adventos ininterruptos dos profetas do apocalipse, nossos meios de comunicação através dos seus núcleos de entretenimento tem massivamente bombardeado a humanidade com as mensagens catastróficas de que o planeta terra sucumbirá vergastado por eventos cataclísmicos, levando consigo toda a humanidade.

São filmes, documentários, matérias jornalísticas, gibis, desenhos animados... enfim um vasto arsenal imbuído desta mensagem que tem construído a perniciosa mentalidade do fim de tudo o que conhecemos, em uma perspectiva niilista onde os valores absolutos da ética e da moral se dissolvem frente à uma pretensa falta de finalidade.

É fato que é chegado o fim dos tempos. É chegado o fim dos tempos de ignorância. Nós não podemos mais nos dar ao desfrute de tanta violência, tanto ódio, tanto orgulho e tanto egoísmo já que todo o mal que nos acomete é fruto das nossas atitudes irrefletidas e irrefreadas. Os cataclismas que retorcem o nosso amado planeta são frutos do nosso desvario destruidor e consumista em amealhar tudo que apraz os nossos sentidos e isso em se tratando da coletividade. Intimamente, quando deitamos o olhar sobre a nossa vida e o nosso proceder, identificamos a origem das mazelas que nos acometem.

Em nada obstante à veracidade dos eventos que vem se sucedendo, é necessário que saibamos exercitar nosso olhar. É devido ao fato de sermos egoístas, acabamos por condicionar nosso olhar àquilo que nos machuca e consequentemente assumindo uma postura de vítima que nos paralisa e não nos educa. A dor é um elemento pedagógico à quem se obstina a superá-la. De que nos adianta a revolta, essa filha do orgulho, diante dos quadros de desolação a que ficamos reduzidos nos processos de dor. E revolta nos compele o coração a tornar-se empedernido, endurecido.

A finalidade destes acontecimentos é outra, é nos despertar.

É verdade que quando encaramos os problemas com a devida resignação, as marcas da dor ainda permanecem, mas ainda assim podemos tirar um proveito profícuo da situação adversa. O Japão após a II Guerra Mundial, quando foi atingido por bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, restou quase que completamente destruído e hoje é um exemplo pra agricultura sustentável já que consegue produzir em escassez de área agricultável, é um exemplo de organização empresarial após o desenvolvimento do método 5s largamente difundido e utilizado nas grandes empresas de todo o mundo. No campo individual temos o exemplo de Paulo de Tarso que após perder a visão foi levado a reflexão e reconheceu a verdade na mensagem de amor do Cristo de Deus.

Há solos que naturalmente e por características intrínsecas, se prestam com maior facilidade para o plantio, por terem aproveitado adequadamente as benéficas ações das chuvas, dos ventos e dos outros fatores de modificação mais tênues; enquanto há solos que apesar de terem recebidos os mesmos recursos ainda não se tornaram agricultáveis, guardando ainda certa rigidez e toxicidade. As dores são como o arado que revolvem esse solo árido e pedregoso, para que nele cheguem a água, o ar e os nutrientes salutares; para que ele se torne maleável ao plantio; para que nele possa germinar a semente de amor que o Cristo legou; para que a Vinha do Senhor possa frutificar.

Os cataclismas sempre houveram em resposta a ação danosa do homem sobre a Terra, assim como as vicissitudes nas nossas vidas sempre vieram em decorrência das más-escolhas que fizemos. O que precisamos é saber como lidar com elas. Depois dos cataclismas que postura adotaremos? Seremos o resignado que se melhora ou o revoltado que permanece estagnado?

É o fim dos tempos... fim dos tempos de ignorância onde o amor esclarecerá as consciências, onde apenas subsistirá o desejo de fazer o bem, de servir ao próximo... e é chegado o tempo de esclarecermos nossas consciências a respeito da finalidade de termos sido criados para sermos bons e justos; de abrir os nossos olhos de ver e os ouvidos de ouvir, pra perceber que Deus já nos mostra a oportunidade de manifestar o bem que existe em nós no estado de latência.

Os cataclismas são oportunidades de mudança na Terra, no ambiente, tanto quanto em nós. Abramos os nossos corações! Não há mais tempo para a incompreensão. Amemo-nos.

A Paz seja conosco.